Conheça alguns dos golpes aplicados no setor e saiba como se defender
Muita gente se pergunta de onde surgiu a expressão “o conto do vigário”. Na verdade existem várias histórias relacionadas ao termo. Uma delas aconteceu em Ouro Preto, no século XVIII em uma disputa de dois vigários pela posse da imagem de uma santa, sendo que um vigário engana o outro. Outro fato vem de Portugal, quando alguns malandros chegavam às cidades e se apresentavam como emissários do vigário e enganavam moradores, tirando dinheiro deles. Há quem acredite também que o termo está relacionado a um trapaceiro que não era nem padre, nem vigário, aplicava golpes com notas falsas. Ele apenas tinha o nome de batismo de Manuel Peres Vigário.
O que importa é que hoje em dia são muitos os golpes que neste exato momento estão em andamento. São crimes caracterizados como estelionato ou popularmente batizados de 171 (artigo do Código Penal que trata deste tipo de delito). Dia a dia os ladrões estão inventando novas armadilhas para lesar suas vítimas indefesas, e empresários do setor de alimentação fora do lar têm sido alvos constantes da ação desses bandidos.
Conheça aqui alguns dos golpes aplicados no setor para saber como se defender e não cair no “conto do vigário”.
FRAUDE DO BOLETO BANCÁRIO
Como acontece:Aproveitando da inexperiência e ingenuidade de alguns “empreendedores de primeira viagem”, supostas associações de classe, assessorias e consultorias emitem milhares de boletos bancários em nome de empresas ainda em processo de constituição, ou mesmo para empresas que já estão no mercado há anos. A eficiência dos golpistas é tamanha que este golpe foi aplicado em uma empresa criada há apenas três dias. O objetivo é confundir o empresário, induzindo-o a acreditar que se trata de uma taxa obrigatória. Os valores dos boletos giram em torno de R$150,00 e R$300,00. Os responsáveis pelo envio dos boletos geralmente levam nomes parecidos com entidades conhecidas como a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), a Junta Comercial do Estado de São Paulo e a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil. Veja alguns nomes que aparecem como cedentes nos boletos: Associação Comercial do Estado de São Paulo (Acesp), Associação Comercial e Empresarial do Brasil, Assessoria Comercial do Estado de São Paulo e Associação Nacional da Indústria e Comércio.
Como agir: O associativismo é opcional e não obrigatório. Caso receba esse tipo de boleto e seja associado a alguma entidade, antes de pagar verifique se o nome do cedente confere com o da sua associação e de preferência ligue para confirmar o documento recebido. Caso sua empresa não faça parte de nenhuma associação, não pague o boleto, consulte seu contador e de preferência faça uma denúncia ao Ministério Público do seu estado.
FALSO PROTESTO DE TÍTULOS DE R$415,00
Como acontece: O estabelecimento recebe uma ligação e a pessoa do outro lado da linha se identifica como sendo de um Cartório de São Paulo e diz que tem um título a ser protestado naquele dia. “São quatro parcelas de R$415,00”, diz a pessoa, informando inclusive a data do contrato. Ela pede ainda para que o estabelecimento entre em contato por telefone com a empresa de cobrança e fale com a Dra. Lidiamara, para evitar o protesto. O telefone informado é: (19) 4062-8987. Ao ligar, eles atendem como se fosse da empresa Oliveira e Souza Cobranças. A tal Dra. Lidiamara, confirma a existência da cobrança de títulos e diz que tem um contrato assinado por um dos proprietários do estabelecimento, citando inclusive o nome. Eles informam o valor atual para pagamento, mas que podem conseguir um desconto para acerto da dívida. O telefone informado por eles como sendo do cartório 2° Ofício de Notas e Protestos de São Paulo – Rua Bela Vista, 314 – Centro foi: (11) 4063-7995 / 35228290.
Como agir: Caso recebam este tipo de ligação, não façam nenhum depósito ou pagamento de boleto. Solicitem o número do contrato e da ordem de protesto de títulos. Confira na lista telefônica o verdadeiro telefone do Cartório citado e verifique a existência de tal ordem de protesto.
GOLPE DA CONFIRMAÇÃO DE CADASTRO DA LISTA TELEFÔNICA
Como acontece:.O golpe é feito por uma empresa de Internet sediada em São Paulo com o nome de Portal Nível Brasil Serviços de Teleatendimento Ltda, com o CNPJ de número 10.316.275/0001-92. Eles possuem um cadastro grande de empresas e ligam oferecendo um serviço parecido com o da TeleListas que coloca os seus dados na Internet e em uma lista impressa. O problema é que dão a entender que é atualização de cadastro e não informam que o serviço é pago. Dizem até que qualquer um pode assinar e retornar por fax. O documento enviado é na verdade um contrato de 12 meses no valor de R$7.200,00 com parcelas mensais de R$600,00. A multa recisória é de 40% do valor do contrato, ou seja, R$2.800,00.
Se a vítima descobre tudo antes dos sete dias, pelo Código de Defesa do Consumidor é possível cancelar o contrato. Caso contrário, prepare-se para os aborrecimentos. É possível conseguir um acordo pra tentar se livrar de tudo. O que sairá em torno de R$600,00, mas ainda assim não se tem garantias de que a recisão contratual será cumprida pois não se trata de uma empresa séria e muda de endereço constantemente. As custas judiciais serão relativamente proporcionais à multa, com isso o empresário acaba ficando sem saída.
Existem outras versões desse golpe em que os golpistas ligam dizendo que são da própria empresa de telefonia do estado e pedem atualização dos dados da lista telefônica. Aí a história se repete.
Como agir: Não assine nada sem ler e oriente os seus funcionários a não assinar nenhum documento enviado para a empresa.
GOLPE USANDO NOME DE PRESIDENTES ENTIDADES DE CLASSE
Como acontece: Os golpistas usam indevidamente o nome de um presidente das representações locais de entidades de classe para pedir dinheiro “emprestado”. Um empréstimo sem devolução, claro! Este golpe já foi aplicado em representantes da Abrasel e da ABIH, com o seguinte procedimento:
O golpista liga para os presidentes locais das entidades e se identifica como sendo um dos presidentes de seccional da instituição, inclusive usando telefones com o DDD correspondente. Ele diz que está em uma cidade do interior do estado para o qual está ligando, com o carro acidentado ou com defeito e se diz desprevenido no momento, precisando de auxílio do colega. Ele pede ao presidente estadual que transfira algum dinheiro para uma conta bancária para o pagamento das despesas, afirmando que devolverá assim que retornar à sua cidade. Em todos os telefonemas feitos nesse sentido os golpistas sabiam os nomes dos presidentes e conversavam com desenvoltura, levando quem estava do outro lado a acreditar na história.
Como agir: Caso este golpe volte a circular, antes de qualquer procedimento, ligue primeiro para a pessoa da qual estão usando o nome ou para a entidade que ele representa para confirmar se a informação procede.
GOLPES POR TELEFONE
O restaurante orienta Yakisoba Factory,situado na Vila Olímpia, em São Paulo, foi vítima de golpe via telefone. Na primeira vez, o golpista ligou para o estabelecimento, solicitando uma conversa com o responsável, alegando ter encontrado cabelo no prato e solicitando reembolso. O dono, mesmo receoso com a história contada de maneira confusa, reembolsou o cliente com a quantia de cinqüenta reais. Houve nova ligação dias depois para a casa. A pessoa disse ao telefone ter jantado no restaurante com a família, passado mal posteriormente, e que a filha estaria internada. Um representante do Yakisoba Factory se prontificou a ir até o hospital onde a garota estaria supostamente internada, porém o homem confuso, novamente, não soube dizer o endereço onde a menina estava.Com dúvida e desconfiança em razão das duas ligações recebidas, a direção do restaurante buscou saber o dia em que a família havia consumido na casa e que pratos teria pedido. A o fazer a busca no dia em questão, não se confirmou pedido com as características citadas, o que fez com que todos concluíssem que se trata de mais um golpe contra donos de bares e restaurantes.
Fonte:Revista Bares & Restaurantes Julho-Agosto 2010.
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